quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Uaninauei

Uaninauei
 Há dias ou noites em que achamos que as surpresas surgem de uma forma bem positiva. Foi o que me aconteceu numa noite fria de verão, numa localidade do Alentejo profundo onde apenas uma rede móvel funcionava em condições.
No meio de um local que parecia esquecido por todo um país, surgiu-me um rapaz com vontade de comunicar, e falámos de música. Aliás, estávamos ali para isso mesmo, numa final de um concurso de bandas.

No final da noite, o Daniel Catarino deixou-me partir com a promessa de me enviar as músicas que uns meses mais tarde dariam origem ao álbum “Lume de Chão”, que agora apresenta os Uaninauei. Quando elas chegaram, a surpresa foi ainda mais positiva.

As canções são bastante fortes e a gravação é muito boa, duas características fundamentais para se dar atenção a algo de novo. A verdade é que os Uaninauei (diz-se "one in a way") escolheram um nome difícil de ler à primeira, mas pleno de conceito. 
As letras são em português, e nos dias que correm são uma agradável surpresa, porque estão livres de alguns atropelos linguísticos tão comuns e servem as músicas na perfeição. 
O nome da banda é uma espécie de brincadeira quase secreta com algumas letras de bandas nacionais que cantam em inglês, e cujas palavras fazem lembrar algo parecido com “Running Away” aportuguesado.

Os Uaninauei foram uma das bandas nacionais que mais me surpreenderam nos últimos meses. São bons músicos, sabem o caminho que querem seguir e não procuram facilitar. Podemos arranjar pontos de contacto com outras bandas, é fácil pelo som que praticam entender que aqui ou ali fazem lembrar os Ornatos Violeta ou os Mundo Cão, mas a verdade é que têm muita personalidade. As suas 3 guitarras dão à banda um som muito mais musculado, quase que tocando por vezes o metal mas sem nunca entrar por aí, embora usando alguns dos seus elementos.

São assumidamente uma banda rock com todas as suas virtudes, sem complexos e que não esquecem as suas raízes alentejanas, mostrando até certo orgulho ao incluírem um coro de cantares regionais no meio de um dos seus temas.

No fundo, “Lume de Chão” é um óptimo disco de estreia. Será um erro passar ao lado deste disco sem pelo menos lhe dar uma oportunidade.
http://www.myspace.com/uaninauei
Texto de Nuno Calado  (Antena 3)

The Amazing Flying Pony

The Amazing Flying Pony
 (Foto de Miguel Pires)

Rock. Desconstruído. Com cheiro a pós-punk. Sem perder contudo a modernidade.
Uma voz feminina, a de Nancy Knox, potente e invulgar que marca toda a diferença.
Assim de cabeça, lembram à primeira The Slits, X-Ray Spex e The Raincoats e os mais recentes Yeah Yeah Yeahs.
Contudo, os The Amazing Flying Pony, têm os pés muito bem assentes na terra e o seu trilho muito bem definido. Criam por isso um som muito próprio. Cheio de energia contagiante.
Tudo começou em 2003, quando três rapazes, o Gonçalo (Bateria), o Pedro (Guitarra) e o Nelson (Baixo) encontraram na Faculdade de Psicologia e Ciência da Educação de Coimbra. A ideia de formar um projecto, onde pudessem expressar o gosto musical de cada um, nasceu logo ali.
Um ano mais tarde conheceram Nancy Knox, que com a sua potente voz viria moldar em definitivo o som do grupo.
Cheios de ideias nas cabeça, com o rock a correr nas veias, decidiram passar à prática as conversas tidas e marcam o seu primeiro ensaio em 2008. A primeira reunião foi decisiva. No ar ficou a certeza de que com uma guitarra, um baixo, uma bateria e aquela voz, seria possível passar para o som as ideias até então discutidas.
Existia de facto uma grande sintonia entre todos, e logo nesse primeiro encontro surgiu a faixa “Streets of Hope”.
Nasciam assim em definitivo os The Amazing Flying Pony. As ideias para novas musicas fervilhavam nos seus dedos. Ensaio após ensaio, a técnica foi-se apurando em lume brando e novos temas foram sendo cozinhados.
Um mês passado, depois de muito tocarem num sótão escondido na cidade, recebem o convite para subirem pela primeira vez a um palco. A estreia aconteceu em Coimbra no Centro Cultural Artes Jah Nasce.
Quem assistiu a esta estreia não ficou indiferente ao som produzido pela banda, o que os motivou a seguirem o seu rumo, sem se desviarem dos seus princípios. Daí para cá, já tocaram por exemplo, na Festa das Latas em Coimbra, no ano de 2008, no Centro Comercial Dolce Vita, no Musicbox, (concerto disponível no site www.centralmusical.com), na Rádio Universidade de Coimbra (concerto transmitido em directo), na Via Latina , no Ceira Rock Fest, no Termómetro 2010 (Musicbox),  no Festival de Musica Moderna de Corroios, do qual foram um dos três finalistas e no Rock Of em Cantanhede, no Festival Santos da Casa na Via Latina em Coimbra, no CAE em Portalegre, no Festival Brenha a Arder, na Figueira da Foz e na Noite Branca em Coimbra.
Neste período de vida já partilharam o palco com Jorge Palma, Sérgio Godinho, Da Weasel, The Rock ‘n Roll Adventure Kids (EUA), Industry Royal (SUE) ou The Hatefull (ING). Tudo, experiências que marcaram definitivamente as suas vidas.
Pelo meio, entre actuações e ensaios, os The Amazing Flying Pony registam em estúdio quatro temas, com intuito de mostrarem a um mais vasto leque de público aquilo que andavam a fazer. Um registo, assumido como uma maquete, que serve acima de tudo para mostrar as intenções do grupo.
Na mente de todos está agora a  realização de um trabalho que possa ser encarado de forma mais séria, com o  objectivo de abrir portas, para se mostrarem em palco, e mais importante, o dar a conhecer em definitivo o nome dos The Amazing Flying Pony.
De realçar a atenção que a imprensa tem vindo a dar ao projecto com referências elogiosas na edição de Março de 2010 da Blitz e reportagem no Rádio Clube.
Se virem um poney a voar não estranhem, é este grupo de Coimbra a dar asas à sua imaginação, construindo um rock que vem da cidade do rock, mas que não é o rock desta cidade. Confusos? O melhor é mesmo ouvir para perceber!